Mainstream Independente
Adriana Alves
Contrariando rótulos, a 10ª edição do Porão do Rock leva a Brasília uma estrutura de festival de grande porte
Foto: Clausem Fotografia/Divulgação

Mark Arm, do Mudhoney: o menos indie entre os indies
"O independente aqui é não depender de atrações do mainstream", explica Marcos Pinheiro, vice-presidente da ONG Porão do Rock e coordenador de comunicação do festival. "O Porão é como se fosse o mainstream dos independentes, em termos de estrutura, visibilidade, mas a proposta do festival é trabalhar com pelo menos 90% de bandas independentes."
Tudo aconteceu conforme o planejado no maior festival de Brasília. "A proposta é dar a mesma condição a todas as bandas, não existe diferença de estrutura entre nenhuma delas. Todas fizeram o mesmo circuito com a imprensa, deram entrevistas, ficaram no mesmo hotel, tiveram equipamentos e palcos absolutamente iguais", completa Gustavo Sá, diretor artístico do festival, que destaca a principal dificuldade de se organizar o evento: "Todo ano é uma guerra pra conseguir patrocínio por conta do preconceito do empresariado em relação ao rock. Eles dizem: 'Ah... festival de rock, muito doidão, esse público não tem grana'".
Além de comprovar que nem toda independência representa necessariamente desorganização e improviso - aliás, longe disso -, o sucesso da 10ª edição do Porão do Rock aponta para o fato de que os novos meios de distribuição, somados à popularização de novas e baratas ferramentas para se gravar música, diminuam a diferença entre estar ou não vinculado a uma grande gravadora. Um exemplo é a trajetória da big band brasiliense Móveis Coloniais de Acaju, responsável por um dos shows mais celebrados do festival: além de disponibilizar músicas gratuitamente na internet, o grupo aos poucos conquista o eixo Rio-São Paulo com elogiadas apresentações - tudo organizado por eles mesmos.
E qual seria o papel fundamental dos festivais neste cenário? O diretor artístico Gustavo Sá é quem define: "Hoje, o circuito de festivais divulga a música e cumpre o papel de rádio como um multiplicador e fomentador da música brasileira. Essa é nossa importância".
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