O Dono do Mundo?
Jann S. Wenner
Barack Obama, candidato à presidência dos Estados Unidos, fala sobre o voto jovem, revela o que toca no seu iPod e explica suas três maiores prioridades como presidente
Foto: Peter Yang

"À medida que vou ficando mais velho, se torna menos importante alimentar minha vaidade. Descobri que não me satisfaço muito em ser o centro das atenções"
A primeira coisa que me chama a atenção no avião é a simplicidade do ambiente: são apenas assentos de classe econômica, do fundo (onde fica a imprensa) à frente (onde fica o candidato). Não existe um compartimento separado para este possível presidente - ele reserva apenas a segunda fila para si e seus jornais. Não há mais de dez membros de sua equipe no vôo, e mais de uma dúzia de fileiras estão vazias. O espaço serve para separar o senador do contingente do Serviço Secreto e do batalhão de membros da imprensa que viaja com ele.
Hoje não é um dia especial, nem vamos a um grande evento: as primárias chegaram ao fim e nenhum dos grandes nomes da mídia está por ali. Até este momento, Obama manteve a imprensa a uma distância respeitosa - apesar de gozar de sua evidente admiração. O limite para nossa entrevista será de 50 minutos, o que, creio eu, diz muito a respeito dele e de sua campanha. Quase todos os outros candidatos à presidência que conheci e entrevistei se preocupavam em ser sociáveis e comunicativos - o que levavam quase ao excesso. Estavam sempre ávidos por agradar e impressionar. Obama, ao contrário, é quieto, controlado e preciso sem se esforçar para isso.
Sua calma dá o tom à campanha tranqüila e equilibrada que dirige. Enquanto fala, seu intelecto articulado é pontuado por um humor leve, da mesma forma que sua campanha meticulosa é palco para a eloqüência e o carisma de líder que ele exibe. Sempre me perguntam como ele é. Se você realmente quer saber, leia (a biografia de Obama) Dreams from My Father. Está tudo lá, e o livro por si só é uma bela obra de literatura. Quando encerramos, suas palavras de despedida são ditas com um sorriso reluzente: "Certo, irmão. Se cuida".
Bob Dylan acabou de lhe declarar apoio. O que isso significa?
Ouvir Dylan e Bruce Springsteen dizendo palavras generosas a meu respeito é algo extraordinário, devo confessar. Esses homens são ícones.
Qual é sua música favorita do Dylan?
Tenho umas 30 dele no meu iPod. Acho que o Blood on the Tracks (1974) está inteiro lá. Uma das minhas favoritas durante as prévias era "Maggie's Farm". Penso muito nela quando ouço o discurso de alguns políticos.
Quando você começou a pensar que poderia ou deveria ser presidente? Em que fase da sua vida surgiu essa idéia?
Dividiria essa história em dois momentos: o primeiro foi quando, ainda em um nível abstrato, pensei que seria capaz de tomar decisões mais adequadas como presidente do que o atual ocupante do posto; o segundo foi quando, já de forma muito concreta, acreditei que ser presidente era algo que almejava. Depois de 2004 - quando venci minha primeira primária para o Senado e fui para a convenção democrata - senti que minha mensagem poderia ter impacto em grande parte da população norte-americana.
O resultado obtido naquela convenção democrata foi decisivo?
Não foi apenas durante a convenção. Houve uma reação muito poderosa [do público] quando eu disputava a primária em Illinois. Depois que venci, ficou no ar um sentimento real de superar os velhos argumentos, as pessoas estavam ávidas por isso.
E quando foi que você disse "sou negro, meu nome é esse... Foda-se, eu consigo chegar lá".
Nunca me faltou...
Autoconfiança?
Confiança de que minha história pessoal não seria barreira à minha candidatura.
Você lê esta entrevista na íntegra na edição 22 da Rolling Stone Brasil, julho/2008
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