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Britney, o Retorno

Por Jenny Eliscu


Depois de um período conturbado, a princesa do pop está de volta ao trabalho e se diz cada vez mais longe dos problemas. Mas Britney Spears, que, segundo seus pais, é "uma criança adulta vivendo a agonia de uma crise de saúde mental", paga um preço alto para manter sua vida sob controle (dos outros); veja vídeo com os bastidores, no fim deste texto


Foto: Peggy Sirota
Britney, o Retorno
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As pessoas próximas de Britney Spears sabem de uma coisa muito bem: quando ela está loira, fica feliz. Quando fica morena, é sinal de tristeza; se escolhe o cor-de-rosa, está louca. No segundo semestre de 2008, o cabelo dela voltou a um dourado brilhante enquanto ela passava o tempo indo e vindo de sua mansão em Beverly Hills, com muita diligência, para ensaiar coreografias e gravar, na preparação para seu novo álbum, Circus. Foi uma transformação completa, depois de um ano em que passou um mês em um programa de desintoxicação, viveu uma batalha brutal de guarda sobre os filhos com o ex-marido, Kevin Federline, e foi na direção de um colapso de enormes proporções - e muito público - que culminou em duas internações psiquiátricas. "Hoje eu me sinto uma velha", Britney confessa, enquanto a manicure aplica diamantes falsos e um cor-de-rosa de menininha em suas unhas roídas. "É verdade! Vou para a cama às nove e meia toda noite, e não saio nem nada, sabe como é? Sou uma velha caquética."

O sono de beleza lhe fez bem. Estamos em um estúdio em Hollywood. Ela usa jeans preto, saltos plataforma e um casaquinho com capuz ofuscante - há anos Spears não se parece tanto com ela mesma. Está maquiada, mas as cores estão desbotadas na medida certa para parecer que são de ontem. A cantora pensa em se livrar dos apliques que usa desde que raspou a cabeça, em 2007, e quando conta as tatuagens que tem - "Sete! Ai, Meu Deus, caramba!" - se joga no sofá em meio a risadinhas e chuta o ar.

A princesa do pop sempre foi assim: bobinha, adorável, humilde. Nunca foi muito articulada, mas sempre tenta ser solícita. Nesta noite, está ouvindo os mixes e terminando de trabalhar em uma faixa chamada "Lace and Leather" [renda e couro]. Pergunto como sabe quando uma música vai fazer sucesso. "A gente só ouve e fica: 'Ai, Meu Deus'. E, se outra pessoa gravar essa música, dá vontade de morrer, sabe como é? Esta que estou fazendo hoje, acho que é boa, é esquisita, diferente e de menininha de verdade", responde. "Meio safadinha", adianta o empresário dela, Larry Rudolph, 45 anos, sentado ali perto, usando camiseta e jeans. "Um pouco safadi-tcha", a cantora concorda, em tom meio acanhado.

Spears também está diferente desde a última vez em que a vi em 2006, quando passamos um tempo em um quarto de hotel em Nova York, assistindo a American Idol, enquanto Sean Preston, um dos filhos dela, engatinhava na cama perto da TV. Ela está mais tímida, mais cuidadosa, distante - como a velha Britney, mas com o volume mais baixo. Seu último sucesso, "Piece of Me", falava de sua imagem pública ["I'm Miss Bad Media Karma / Another day, another drama" - "Eu sou a Senhorita Carma Ruim da Mídia / Mais um dia, mais um drama"], mas ela diz que não tem certeza se está disposta a incluir algo assim tão revelador em Circus. "É assustador se expor. Mas não dá para fazer nada pela metade." E então, como se tivesse mudado de idéia no meio da frase, completa: "Às vezes, quando você mete as caras, não tem como fracassar".

Entre todas as coisas que Britney perdeu nos últimos tempos, o que mais a abalou foi a perda da guarda dos filhos, Sean Preston, de 3 anos, e Jayden, de 2. "Cada vez que eles vêm me visitar, fico pensando em como são pessoas especiais", admite. Atualmente, vê os meninos três vezes por semana, com uma noite passada em sua casa. "Eles já estão na escolinha! Fui lá buscar os dois na sexta... vêlos naquela classe pequenininha. Eles são meus, e isso é simplesmente louco. E as coisas que saem da boca deles agora - estão aprendendo muito, a gente nunca sabe o que vão dizer; e são tão inteligentes e, ao mesmo tempo, tão inocentes. Estão obcecados por monstros. Toda noite olhamos para fora de casa e precisamos mostrar para eles que não tem nenhum monstro por lá. Que está escuro, mas não tem nada lá, sabe?"

Você lê esta matéria na íntegra na edição 28, janeiro/2009

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