Insustentável Sem-Vergonha
Por Vanessa Grigoriadis
Tradução: Ana Ban
Com a fama de maníaco-depressivo (drogas! drama!) e o dom para misturar moda refinada com cultura popular, Marc Jacobs construiu um império. Agora, o maior estilista norte-americano embarca na transformação mais ambiciosa que já fez na vida: a de si mesmo
Foto: Dimitrios Kambouris/Wireimage

Em volta do criador, os músicos Kanye West (à esq.) e Jay-Z. "Este cara [Marc] é meu ídolo. Ele é muito cool", admite West
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É difícil imaginar Marc Jacobs sentindo-se solitário, mesmo que haja algo de très tragique em um gay de 45 anos que ama o MySpace. Como se estivesse aproveitando a deixa, Kristin Davis, a morena de Sex and the City, passa apressada. "Eu amo Marc", ela se derrete. "Ele é muito gentil, generoso e honesto." Anna Wintour, editora da Revista Vogue e uma de suas defensoras mais antigas, dá um beijo na bochecha dele. "Marc sempre apoiou as artes, esta noite fecha o ciclo", ela completa. Na sequência, Kanye West agarra Jacobs em um abraço de urso. "Este cara é o meu ídolo. Ele é muito cool." West passa rápido por modelos de fibra de vidro em dimensões gigantes que mostram uma mulher lactante, cujas excreções formam uma corda de pular, e um rapaz se masturbando, cujo esperma delineia um laço de caubói improvável. "Adoro as esculturas dos peitões e do cara segurando o pênis", ele solta, cheio de animação. "Quero isso no meu apartamento. Assim, quando as pessoas entrarem, vão saber que tudo é possível."
De certa maneira, Marc Jacobs foi quem possibilitou essa cena. Com seu gosto por moda refinada (Louis Vuitton) e celebridades populares (Lil' Kim), ele ajudou a disseminar o atual entusiasmo pela perversidade na arte e a "fofura explícita" (ursinhos de pelúcia!) combinados com o cool clássica (Sonic Youth). Assim como West e Murakami, Jacobs tem a fome do artista pop de ser adorado pelas pessoas certas, e por todas ao mesmo tempo.
Hoje à noite, essa sensibilidade moderna ganha sua celebração. Já rumo aos 50 anos, o criador (mitificado pela mídia) se transformou em um dos raros estilistas cuja estética transcende as roupas que produz, cujo nome é conhecido das massas e cujo alcance se estende muito além de uma marca. Jacobs já não veste mais as pessoas para o mundo: ele tem papel ativo na criação do estilo de hoje. "É isto que está acontecendo na moda dos Estados Unidos neste momento: a garotada parece tão animada e esquisita", Jacobs se pronuncia, referindo-se ao público presente ao museu. Ele faz uma pausa e volta com um raciocínio à la Warhol: "Parece que todo mundo devia ter um contorno preto ao redor de si, como um desenho".
No início desta década, o criador ganhou destaque essencialmente por transformar meninas andróginas de sapatilha e meninos de óculos com camisa enfiada para dentro da calça em uma coisa sexy e por popularizar visuais pudicos como o de Chloë Sevigny. Hoje, está à frente de um negócio multibilionário, com marca própria e na posição de estilista-chefe da Louis Vuitton. É considerado o único designer norte-americano que interessa, já que Calvin [Klein], Ralph [Lauren] e Donna [Karan] foram deixados de lado. Há muito tempo a cineasta Sofia Coppola é sua musa, e entre as outras "Marcoletes" estão Courtney Love e Winona Ryder (famosa por ter roubado roupas dele da loja Saks). "Adoro anjos caídos", Jacobs já declarou. "Existem garotas que cometem erros, e eu simplesmente gosto disso. É muito difícil ser alguém em público e ser humano e honesto ao mesmo tempo. Estou falando de um anjo obscuro, uma alma despedaçada."
Você lê esta matéria na íntegra na edição 28, janeiro/2009
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