Peso e Literatura
Por José Julio Espirito Santo
PORTNOY destila lirismo assumido no punk de garagem dos anos 90
Foto: ROGÉRIO LACANA

(A partir da esq.) Lefê, Conrado e Kleber: inspiração grunge
Fã da obra de Roth, Conrado Corsalette viu uma rara coincidência para batizar sua banda. "Eu tive uma seqüela da síndrome de Osgood-Schlatter", diz o guitarrista, lembrando os meses de perna engessada para se livrar de uma má-formação óssea. "Nunca vi ninguém com essa porra de negócio", ele ri, explicando que o protagonista do romance de Roth sofreu do mesmo problema.
Conrado e seu irmão, Caio, faziam parte de outra banda, Barra Mundo. Juntos com o baixista e professor de conservatório Lefê, ex-Cascadura, formaram o trio e gravaram seu primeiro e recém- lançado álbum, homônimo e independente. Logo que deixaram o estúdio, Caio decidiu sair da banda. O baterista Kleber Kruschewsky, que havia tocado anteriormente com Lefê em Salvador (ambos são baianos), o substituiu, completando o trio.
Produzido por Iuri Freiberger, o disco traz um punk garageiro que remete ao som produzido em Seattle nos anos 90. Conrado não discorda: "Kurt Cobain foi um dos meus ídolos. Esses caras são os que fizeram eu ter vontade de tocar guitarra". Simples e direta, a gravação traz apenas guitarra, baixo e bateria, sem nenhum overdub. Ainda assim, a crueza não foi suficiente para encobrir a voz de Conrado e algumas letras excelentes, como a de "Sem Controle" (parceria com o primo/escritor Fabrício Corsaletti) e "Só um Homem", assumindo um eu feminino tal qual um Chico Buarque punk.
A idéia do Portnoy é não parar até a gravação do próximo disco, programado para este ano. "Temos 11 músicas novas", o vocalista revela. Enquanto isso não acontece, Portnoy também ganha uma versão virtual, oferecida de graça na rede. "As possibilidades da internet não permitem mais que a gente imponha barreiras comerciais para o uso da música", Conrado justifica. "É ilusão querer cobrar."
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