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Lindos, Sujos e Malvados

Por Jason Gay


Gossip Girl, o seriado mais sexualmente subversivo da televisão, mostra as últimas pessoas nos Estados Unidos que vivem como em um glamuroso conto de fadas


Foto: TERRY RICHARDSON
Lindos, Sujos e Malvados
LIBERTINOS (A partir da esquerda): Chace Crawford (Nate), Taylor Momsen (Jenny), Blake Lively (Serena), Penn Badgley (Dan), Leighton Meester (Blair), Jessica Szohr (Vanessa), acima, e Ed Westwick (Chuck)
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"Sério, em toda entrevista alguém me pergunta: 'Você é mesmo amiga da Blake?'", desabafa Leighton Meester. É uma tarde fria em Nova York e Meester, 22 anos, atriz que interpreta a cruel Blair Waldorf, está sentada em uma mesa do La Bottega, um restaurante italiano próximo ao Meat Packing District,em Manhattan. Ela usa um suéter cinza,jeans e óculos de aro grosso preto, do tipo que com certeza seria motivo de piada para a rica e esnobe personagem que encarna em Gossip Girl. "É claro que você não é amiga da Blake", responde Blake Lively, agarrada a Meester. Um turbilhão de cabelos louros vestido em um suéter azul claro, Lively, também de 22 anos, faz Serena van der Woodsen, melhor amiga de Blair Waldorf e rebelde regenerada que serve como termômetro oscilante da moral no seriado. "Somos muito próximas. Somos amigas", confessa Meester. "Não consigo imaginar qualquer motivo para que as pessoas pensem o contrário."

Certo, mas todo mundo sabe que toda vez que um seriado com elenco predominantemente feminino faz sucesso, começam os boatos de ódio entre as protagonistas. Por exemplo, Grey's Anatomy. As mulheres devem perseguir umas as outras em volta da mesa de operação ,empunhando bisturis. As de Desperate Housewives? Uma envenena o Botox da outra. E as de Sex and the City? Costumam se espancar usando seus massageadores Hitachi Magic Wand.

Não seria um caso de sexismo? Porque o trio de atores de Gossip Girl - Penn Badgley, 22, Chace Crawford, 23,e Ed Westwick, 21 - também foi catapultado ao estrelato e se tornou sensação, mas ainda assim escapou quase ileso da onda de fofocas - tirando o rumor previsível de que são todos gays. "Claro", diz Lively. "Você nunca ouve alguém dizer que Ed e Penn têm inveja um do outro. Mas garotos podem ser tão competitivos quanto garotas." "Os caras só pensam em seus próprios cabelos", afirma Meester. "E nas sobrancelhas", complementa Lively, balançando um garfo.

Ainda assim, é bom fazer parte de Gossip Girl. No mundo fora do La Bottega, Nova York está implodindo, vítima de uma catástrofe financeira causada por ela mesma. Ex-investidores do mercado financeiro agora entregam pizzas e as verdadeiras socialites do Upper East Side escondem suas compras da Hermés em sacolas de supermercado com medo de serem vistas gastando tanto em tempos tão difíceis. Mas, como insetos preservados em âmbar, Gossip Gir mostra um mundo de fantasia em que jovens não veem a menor diferença entre pagar US$ 18 em um drinque ou 700 em sapatos de salto assinados pelo estilista Christian Louboutin. Não que elas não sintam os efeitos da crise vez ou outra. "Estava na Barney, onde tinha uma venda especial de sapatos",explica Lively. "Havia esse par de botas que queria já há um tempão. E tinha um de outra cor. Uma mulher chegou para mim e disse: 'Nem ouse comprar outro par de botas com a economia do jeito que está. Você devia se envergonhar'. E eu pensando: 'Não acredito que ela está me dando uma bronca'."

Gossip Girl, baseado em uma série de livros para adolescentes escrita por Cecily Von Ziegesar, é um drama televisivo criado por, e com produção executiva de, Josh Schwartz e Stephanie Savage, que já tinham trabalhado juntos em outro drama teen, The OC. Enquanto a antecessora seguia os passos de um grupo de garotos banhados pelo sol, despejando melancolia pelas praias da Califórnia, Gossip Girl é ambientado em um terreno mais volátil e venenoso: escolas particulares no Upper East Side, em Manhattan. Os personagens, a maioria privilegiados da Park Avenue, frequentam duas escolas - Constance Billard (para garotas) e St. Jude (para garotos) - separadas apenas por um pátio arborizado. Serena (Lively) é a ex-garota mais popular da escola, que desapareceu misteriosamente do campus e, ao retornar, encontrou a despeitada ex-melhor amiga, Blair (Meester), ocupando seu antigo posto. Há rapazes de boa índole como Dan Humphrey (vivido por Badgley), carinhas bonitas como Nate Archibald (Crawford), víboras carismáticas como Chuck Bass (Westwick), irmãos precoces como Jenny Humphrey (Taylor Momsen) e Eric Vander Woodsen (Connor Paolo), pais tarados, uma criada polonesa ocasionalmente explorada (Zuzanna Szadkowski), e uma narradora cuja identidade é desconhecida (e que dá nome ao seriado). Mas nada disso importa - o que os fãs realmente adoram é o tom assumidamente decadente: jovens lindos esbanjando dinheiro, vestindo-se fabulosamente, apunhalando uns aos outros, aprontando em suas limusines, cheirando cocaína e enchendo a cara como versões adolescentes de Peter O'Toole. Gossip Girl é praticamente revolucionário em sua opção de não moralizar nada. Há poucas personagens puramente boas ou más, nada de sermões dados pelos pais (que costumam ser mais desajustados do que os próprios filhos) ou lições de moral no fim do episódio. Na série, "Gossip Girl" é o nome de um site de autora anônima que relata diariamente os escândalos de Constance Billard e St. Jude. Todos se mantêm antenados com a página virtual via mensagem de texto - quem está traindo Serena, quem tem um meio-irmão secreto, quem fumou haxixe. É como o novo observador da vida adolescente - o que não está em algum blog ou se não foi comentado por mensagem de texto é porque não aconteceu.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 31, abril/2009


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