Fala... Que Ninguém Escuta
Por Filipe Albuquerque
Tendência absoluta no exterior, rádios online ainda sofrem com falta de estrutura e boas ideias no Brasil
Foto: ILUSTRAÇÃO SOBRE FOTOS: GERSON NASCIMENTO

TESTE
No exterior, as referências são diversas. Comprada pelo casal Doug e Linda Balogh em 1983 por US$ 375 mil, a emissora norte-americana Woxy.com desde 1997 é obrigatória para os interessados em música nova com qualidade de transmissão e inovação. A conterrânea KCRW.com e a australiana Triple J (www.abc.net.au/triplej) seguem na mesma esteira, dando as cartas do novo pop global.
Mas esses altos padrões ainda não são necessariamente aplicados no Brasil. Aqui, o amadorismo e a falta de preparo ainda pautam grande parte das programações. Segundo o portal Tudoradio.com, há cerca de 5 mil estações brasileiras operando na internet. Destas, 95% podem ser classificadas como fundo de quintal. E aí, diferentemente do que se observa lá fora, com rádios apontando tendências, atirar para todos os lados com pouco foco ou ousadia é a tônica do segmento. É quando qualidade - estética e artística - passa a ser a menor das prioridades.
"Para a maioria das pessoas que estão envolvidas com isso, é tudo novidade", opina Daniel Starck, diretor do portal Tudoradio.com e responsável pelas emissoras digitais Brasilwebradio (em breve com aplicativo para iPhone) e Radiotransitoweb. "Por isso, o amadorismo e a ideia de que qualquer um pode fazer derrubam a qualidade e afugentam possíveis investimentos comerciais", diz Starck, que define a programação de boa parte das onlines hoje como "totalmente sem sentido". Salvo exceções, as emissoras "não sabem o que estão fazendo e para quem estão fazendo. São poucas as que possuem algum projeto decente, e isso inclui a estética e a programação em si", avalia.
Também especializado no segmento, o site Radios.com. br contabiliza um número fabuloso de estações religiosas e links para rádios cujos nomes não dizem absolutamente nada sobre a programação - Radio Giga, Rede ao Vivo, Toca Tudo Mundial, Coesa Hits são alguns exemplos.
Criada em 2005, a RedeBlitz destoa um pouco do amadorismo das colegas. Com investimento inicial de R$ 20 mil, nasceu (móvel, em uma Kombi) com objetivos definidos, ainda que pouco vanguardistas. "O foco é numa programação jovem e pop rock", avisa Roberto Vilela, diretor geral da emissora, que ressalta ter levado seis meses para definir o conceito da rádio. Para ele, a melhor maneira de atrair audiência é oferecer ao público a oportunidade de interferir na programação e receber o mérito por isso. "Tentamos a interação ao máximo com o ouvinte. Ele manda o recado, toca o som que ele quer." Ferramentas como MySpace, Orkut, Twitter e Skype também estão no menu da rádio, com 8 mil acessos únicos diários.
A cena das webradios brasileira é completada ainda pelos sites das emissoras tradicionais, aquelas do dial, que disponibilizam a programação em streaming no próprio site. Já os grandes portais de internet, por sua vez, investem em tecnologia e variedade para prender o ouvinte no computador. O foco principal da Rádio UOL está em "o internauta poder ouvir a música que quiser, na hora que quiser", informa Jan Fejd, diretor do UOL Megastore. Assumidamente eclético, o serviço está baseado em canais para cada gênero musical - do axé à world music - e em mais 13 programas, "feito para que o ouvinte tenha opções de, além de criar sua própria programação, poder ouvir programas exclusivos dentro do seu nicho de interesse", diz Fejd.
Já o portal Sonora, do site Terra, oferece 200 emissoras de rádios "on demand" e mais de 1 milhão de músicas (sempre disponíveis) no acervo. "O objetivo é levar música de todos os gêneros para o internauta, da forma que ele preferir", explica Beni Ostenberg, gerente de produto do Sonora. "Quando o internauta ouve a rádio dos programadores, ele pode pegar a música de que mais gosta e criar uma rádio própria", informa. Além do serviço gratuito, ainda há uma outra opção a partir de R$ 14,90 que permite baixar músicas para o PC, MP3 player ou celular.
Um detalhe sobre ambos os serviços: nenhum traz a figura do locutor apresentando músicas ou falando entre uma atração e outra. Para quem não abre mão dessa tradição, ainda resta ir atrás dos cada vez mais populares podcasts musicais em português. As opções são muitas e variadas, mas - para o bem do ouvinte - de excelente qualidade.
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