O Show Continua
Por Marcelo de Barros Camargo
Recuperada, Nova Orleans brilha com um dos festivais de jazz (e música pop) mais famosos do mundo
Foto: FOTO MARCELO DE BARROS CAMARGO E GABRIEL STUGINSKI DE BARROS CAMARGO

Ben Harper mostrou músicas novas e velhas ao lado de seu novo grupo, o Relentless7
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Algumas dessas apresentações fizeram balançar a Pista de Corrida de Fair Grounds, por onde passaram cerca de 400 mil pessoas. O veterano Joe Cocker se apresentou no Acura Stage e, com sua voz rouca e trejeitos nas mãos, pulou, gritou e se deixou levar pela magia da cidade do vodu, cantando todos os seus antigos sucessos. Depois foi a vez de Johnny Winter: com dificuldades para andar, mas não para tocar e cantar, se sentou e fez a tenda de blues dançar do primeiro até o último número - sendo que o show, que tinha uma duração programada de apenas uma hora - acabou se prolongando em 30 minutos extras. Já Ben Harper, acompanhado de sua nova banda, a Relentless7, exibiu uma invejável coleção de guitarras e balançou a plateia até o encerramento do dia. Em sua nova estética musical, Harper aposta na simplicidade - inclusive dando nova vida a canções mais antigas de seu repertório. Provando que o público de Nova Orleans não tem preconceitos musicais, Bon Jovi subiu ao palco quando uma multidão já se acotovelava em frente a ele - e o vocalista Jon Bon Jovi teve de forçar os olhos para conseguir ver até onde o mar de pessoas seguia. Entre os músicos locais, dois se destacaram: Dr. John e Charmaine Neville. O primeiro - que entrou em cena com seu cajado e tinha sobre o piano um crânio humano - desempenhou de forma exemplar sua função de representante da cidade. Neville enfrentou o sol forte das 15h, mas nem por isso deixou de cantar e dançar intensamente.
Mas quem dominou o festival não foi um estadunidense: o canadense Neil Young - com uma aparelhagem valvulada, um miniórgão de tubos e piano de cauda - tocou por mais de duas horas, sem se limitar ao repertório de seu trabalho mais recente, Fork in the Road. Entre os clássicos escolhidos para a noite estavam "Hey Hey, My My (Into the Black)", "Pocahontas" e até uma versão para "A Day in the Life", dos Beatles. Houve também espaço para um pequeno set acústico que teve "Heart of Gold", "The Needle and the Damage Done" (sozinho, sem a banda de seis integrantes) e "Old Man". Apesar da reação de êxtase da plateia, foi Young quem delirou depois que uma das cordas da guitarra dele arrebentou - ele aproveitou e arrebentou o resto, dando um toque de rebeldia ao set. E o coração musical de Nova Orleans pulsou fortemente de novo. Como disse Charmaine Neville: "Nós cantamos para vocês, se estamos aqui é por vocês. Precisamos de vocês. Depois da tempestade, Nova Orleans está melhor ainda".
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