O Céu é o Limite
Mateus Potumati
Com livro, disco e DVD, o inimitável Rogerio Skylab planeja a dominação mundial
Foto: André Vieira

Rogerio Skylab: vai para o trono ou não vai?
Depois de um 2006 produtivo, em que lançou seu sexto disco de estúdio (Skylab VI), seu primeiro livro (Debaixo das Rodas de um Automóvel, Editora Rocco) e virou habitué do Programa do Jô - construindo uma relação parecida à de Harvey Pekar e David Letterman na TV norte-americana nos anos 80 -, Skylab prepara o combo de 2007. Em abril, fará dois shows em São Paulo, nos quais lançará Skylab VII e gravará seu primeiro DVD. A julgar pela faixa inédita a que tivemos acesso, "A Última Valsa", o Skylab a ser lembrado é ainda mais visual e preocupado em explorar timbres para criar ambientes extremos. O chorus exagerado da guitarra e o vocal modorrento deixam a valsa torta, tão ébria como o seu personagem - o bêbado que, depois de apagar na rua, levanta e cambaleia sem rumo, "pelo simples prazer de seguir, sem início, sem meio, sem fim".
As gargalhadas negras de Skylab, claro, estão longe da unanimidade. A parcela que possa se ofender diretamente com a música não o preocupa. "Será que eu poderia chocar alguém hoje? Teria que ser pior que a realidade, e isso é impossível", comenta. Mas há uma possibilidade mais nociva: ocupar um espaço histórico menor na música, entre o gratuito e o picaresco. Neste caso, Skylab julga ser alvo da mídia, "como o funk carioca", de um "protecionismo ao politicamente correto e à periferia". "Se você conseguir juntar essas duas coisas, como o Marcelo D2, certamente será entrevistado pela Regina Casé", teoriza. "Mas, quando aparece um cara matusquela, com um discurso diferente e que consegue agradar à produção de um programa na maior emissora de TV brasileira, o que acontece? Não há como ignorar. Ao mesmo tempo em que existem grandes barreiras, existem furos espetaculares. O Programa do Jô, a Editora Rocco, esta matéria na Rolling Stone... são furos que precisarão ser absorvidos. Afinal, o matusquela existe."
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