Érika Martins e os Telecats
Lia Amâncio
Banda da ex-Penélope faz pop maduro e açucarado
Foto: José Maria Palmieri/Divulgação

Érika e seus Telecats (da esq. para a dir.): Bjorn Hovland, Érika Martins, Márcio Ribeiro e Carla Kieling
"Eu já estava querendo fazer outras coisas e compondo de uma forma que não cabia mais no universo pueril da banda", explica Érika. "Além disso", continua, "a Constança [Scofield, ex-tecladista do Penélope e viúva do produtor Tom Capone, falecido em 2004] estava grávida, ia parar por um tempo e eu não me imaginava no Penélope sem ela, que era o outro alicerce". A banda terminou, mas Érika jamais deixou a música de lado. Já pensando no disco solo, que seria produzido por Capone (com quem chegou a gravar o primeiro single, "Me Provocar"), ela continuou fazendo participações em shows e projetos (como o Baú do Raul), engrenou com o supergrupo Lafayette & os Tremendões (onde divide o palco com o marido, Gabriel Thomaz, do Autoramas), com quem gravou um compacto e aparece no longa-metragem A Grande Família, e seguiu amadurecendo como cantora e compositora.
Até que o projeto solo rolou, e a cantora escolheu sua banda a dedo. O critério "talento" parece óbvio quando ouvimos os Telecats tocando em perfeita sintonia com a líder, mas o fator estilo também contou alguns pontos na hora de juntar os músicos. Fã confessa da coleção de sapatos do guitarrista Bjorn, Érika tem uma forte ligação com figurino e produção de moda (por acaso, é cunhada da estilista Layana Thomaz). E, embora adote um visual mais roqueiro, empunhe uma poderosa Gibson Flying V branca e seu som esteja mesmo mais pesado, não tem jeito: Érika ainda parece uma boneca. E isso é um baita elogio.
O universo pop até o talo das canções de Érika versa sobre "mulherices", ainda que se dirija também aos rapazes ("Sobre as Mulheres" é uma aula de como se comportar nestes tempos de machismo), sobre relacionamentos, anos 80 e até kung fu. Seu primeiro disco com os Telecats, que sai ainda neste semestre, foi produzido pela amiga Constança Scofield e por Carlos Eduardo Miranda. No disco, ela interpreta, à sua maneira, além de suas próprias músicas, composições de Gabriel Thomaz, Kassin, Renato Martins ("Quando o Sim Quer Dizer Não", também tocada pelo Canastra) e o hit "Sacarina", de Pedro Veríssimo e Iuri Freiberger, ambos do Tom Bloch. Um repertório"tudo em família".
Érika amadureceu. "Estou cantando bem mais. O tempo, as experiências, as roubadas e os outros projetos trouxeram isso pra mim, conheço muito mais a minha voz." Sobre o som da banda, ela revela: "O que é pra ser rock está realmente rock, e as baladas estão mais canções, que explodem no refrão. Não abri mão das melodias, uma das minhas características". A fórmula deu certo, como pode se ouvir em "Sacarina", hit instantâneo disponível no MySpace da banda e auge dos shows. Só faltava mesmo uma estrutura que desse um suporte menos independente para a banda. Ao que tudo indica, essa estrutura chegou em boa hora: o selo Toca Discos, que lançará o CD de Érika Martins & Telecats, acaba de assinar com a gravadora Universal.
A moça, no entanto, tem os pés no chão. "Hoje sei que estar ou não numa gravadora não é o que determina o curso da minha carreira", diz. "O disco é só mais uma etapa a cumprir. Faço as coisas acontecerem do meu jeito, tenho mil idéias e toco porque é a coisa que mais amo. Não me imagino vivendo a vida de outra forma." E quem ouve Érika cantando espera mesmo que ela não pare mais.
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