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  • Com a chegada ao mercado de ...ya know?, segundo disco póstumo de Joey Ramone, uma velha pergunta ressurge: vale a pena lançar músicas não acabadas (ou eventualmente rejeitadas) pelos artistas quando estavam vivos? Nesta lista analisamos pontos positivos e negativos de algumas dessas obras. Reprodução
  • Mystery Girl (1989), Roy Orbison

O cantor estava pronto para retomar o sucesso no fim dos anos 80, mas um ataque cardíaco tirou a vida de Orbison em 1988. Neste álbum há parcerias com Jeff Lynne, T-Bone Burnett e U2.


Acerto: além do hit “You Got It” (composto com Lynne e Tom Petty), o disco ainda tem a bela “She’s a Mystery to Me”, composta por Bono e The Edge especialmente para Orbison. 


Erro: não é exatamente um erro, mas – com a morte do músico – a melancolia das canções de Roy Orbison perderam qualquer ponta de esperança que poderiam ter.
Reprodução
  • Milk and Honey (1984), John Lennon e Yoko Ono

Depois de anos afastado dos estúdios, Lennon retomou a carreira musical no início dos anos 80. E não dava sinais de que pretendia parar, até que teve seu caminho atravessado por um assassino.


Acerto: o casal trabalhava no sucessor de Double Fantasy (1980) e parecia seguir no caminho certo, tanto que este álbum póstumo emplacou o sucesso “Nobody Told Me” (originalmente escrita por Lennon para Ringo Starr). Além disso, tem as belas “Borrowed Time” (a frase “vivendo com tempo emprestado” tomou outro significado depois do assassinato de Lennon) e a inacabada “Grow Old With Me”. 


Erro: por mais que o disco fosse uma parceria entre Lennon e Yoko, parece injusto ela dividir os créditos com o marido morto. Tanto que a metade correspondente a ela, seis faixas, acabou relegada à posição de “complemento dispensável” – ao contrário do que havia ocorrido em Double Fantasy. 
Reprodução
  • Sketches for My Sweetheart the Drunk (1998), Jeff Buckley

O músico havia se mudado para Memphis para compor e gravar o sucessor de Grace (1994). Não chegou a iniciar as sessões principais de gravação, morrendo afogado antes. 


Acerto: pérolas como “Everybody Here Wants You” e “The Sky is a Landfill” soam quase perfeitas e entraram para a lista de clássicos cult do artista.


Erro: o segundo disco é de demos de baixa qualidade, que soam mais como rascunhos. São uma triste lembrança de algo magnificente que não chegou a existir.  
Reprodução
  • American V: A Hundred Highways (2006) & American VI: Ain’t No Grave (2010), Johnny Cash

Cash estava em um processo de redefinir sua música (e carreira) ao lado do produtor Rick Rubin, desde 1994. Em 2003, perdeu a esposa, June Carter – o que só fez que ele intensificasse o ritmo de trabalho, deixando inúmeras gravações inéditas. 


Acerto: as releituras melancólicas do músico para faixas como a tradicional “God’s Gonna Cut You Down” e até material mais recente, como “Redemption Day” (de Sheryl Crow) redifiniram o modo como artistas veteranos são vistos nos Estados Unidos. 


Erro: cada vez mais, o repertório vai se esgotando. E, claro, quanto mais tarde cada canção foi gravada, mais debilitada está a voz de Cash.
Reprodução
  • Brainwashed (2002), George Harrison

Sem pressa, o ex-beatle completava o que viria a ser o sucessor de Cloud Nine (1987). O tratamento para o câncer impediu que o trabalho fosse completado, e Harrison morreu em novembro de 2001. O disco foi completado postumamente por Dhani Harrison, filho de George, e o produtor Jeff Lynne.


Acerto: as faixas de Brainwashed mostram um retorno a um estilo de produção mais básico, sem os excessos dos anos 80. 


Erro: é difícil imaginar Harrison – talvez o mais perfeccionista dos Beatles – permitindo um lançamento deste tipo. Mesmo que ele mesmo tenha deixado orientações para como ele deveria sendo finalizado. Anteriormente, durante o processo de finalização das duas faixas “novas” dos Beatles para o projeto Anthology, ele supostamente havia entrado em conflito com Paul McCartney a respeito de como as composições de John Lennon – “Free as a Bird” e “Real Love” – deveriam ser retocadas. 
Reprodução
  • Lioness: Hidden Treasures (2011), Amy Winehouse

Os dois discos de estúdio da cantora britânica não passaram nem perto de saciar a sede do público. Então, logo depois da morte dela, a gravadora e os herdeiros de Amy juntaram as sobras que existiam em um álbum.


Acerto: a bela versão de “A Song For You”, de Leon Russell (também gravada pelo ídolo de Amy, Donny Hathaway) e a esperta “Between the Cheats” mereciam mesmo serem lançadas.


Erro: praticamente todo o resto, com rascunhos que soam inacabados, versões alternativas de faixas conhecidas e covers que os fãs já conheciam. 
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  • Michael (2010), Michael Jackson

O Rei do Pop não poderia ficar fora dessa. Sem lançar discos desde Invincible (2001), ele morreu sem conseguir dar rumo a um novo trabalho. A gravadora e os controladores do espólio correram para juntar sobras desconexas, gravadas ao longo de várias décadas.


Acerto: a balada “Hold My Hand”, dueto com Akon, poderia ter sido um sucesso se tivesse sido lançada antes. “Another Day”, parceria com Lenny Kravitz, é interessante e uma das faixas mais roqueiras gravadas por Jackson.


Erro: no meio da confusão, surgiram dúvidas quanto à autenticidade de parte do material – em especial na música “Monster” e no single “Breaking News”. Até a filha de Jackson, Paris, apareceu em um vídeo na web contando informalmente a amigas que um imitador havia sido contratado para cantar no álbum.
Reprodução
  • Uma Outra Estação (1997), Legião Urbana

Com Renato Russo já doente, o grupo entrou em estúdio para gravar A Tempestade (1996). A quantidade de material produzido foi tão grande que o Legião cogitou lançar um álbum duplo, mas a possibilidade acabou não se realizando.


Acerto: o trabalho foi um sucesso, chegando a cerca de 250 mil cópias vendidas na época.


Erro: a inclusão de composições mais antigas – “Dado Viciado”, “Marcianos Invadem a Terra” e “Mariane” – só reforça o caráter inacabado do disco.
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  • Pearl (1971), Janis Joplin

O quarto disco de Janis tinha de tudo para se tornar seu maior clássico. E assim foi, mas sem que a cantora estivesse viva para ver isso acontecer.


Acerto: por onde começar? Pearl tem “Move Over”, “Me and Bobby McGee” e “Mercedes Benz”. 


Erro: difícil dizer. Como a artista deixou o trabalho praticamente pronto e aprovado, só é possível apontar o instrumental “Buried Alive in the Blues”, para o qual Janis não teve tempo de registrar o vocal.
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  • Vários (de 1953 a 2010), Hank Williams

Poucos artistas tiveram tantos lançamentos póstumos quanto Williams (o rapper Tupac Shakur, talvez?). Em vida, o superastro do country lançou dois álbuns e cerca de três dezenas de singles. Hoje ele já tem 20 vezes mais lançamentos, entre sobras de estúdio, gravações ao vivo, coletâneas de material inédito e qualquer outro tipo de gravação imaginável. 


Acerto: talvez a breve carreira de Hank Williams não se tornasse tão icônica sem os lançamentos póstumos, que ajudaram a mostrar o quão grande era o talento do músico. 


Erro: em meio a tantas faixas o material essencial acaba diluído.  
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