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Rock, suor e cerveja

Um passeio pelo Sweden Rock Festival, um dos principais festivais de rock do mundo

Thais Azevedo, da Suécia Publicado em 12/06/2012, às 20h27 - Atualizado em 13/06/2012, às 11h48

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Sebastian Bach e Dee Snider no Sweden Rock Festival - Thais Azevedo
Sebastian Bach e Dee Snider no Sweden Rock Festival - Thais Azevedo

O Sweden Rock Festival é mais do que marca registrada: acontece na Suécia há 21 anos (em Solvesborg, está desde 1998). Em 2012, o evento, uma das mais importantes maratonas de rock pesado do mundo, aconteceu de 6 a 9 junho. O primeiro dia foi limitado, sendo aberto apenas para quem comprou ingressos para os outros três dias.

Como em outras maratonas, o Sweden contou com um camping, que acomodou boa parte do público. Mas, diferentemente do alemão Wacken Open Air, considerado o maior festival de metal do mundo, estrangeiros eram minoria. Apesar de ser possível encontrar ingleses e muitos noruegueses, a grande maioria era local.

Entre a retirada das pulseiras que davam acesso aos shows e ao acampamento e a entrada do festival, diversas barracas/lojas de acessórios – desde camisetas de grife até as básicas camisetas pretas que podem ser encontradas na Galeria do Rock, em São Paulo – ficaram espalhadas pelo local. Era possível comprar em coroas suecas e em euro, dependendo da barraca. Muitos vendedores de diversos países da Europa, principalmente Alemanha, vendiam roupas de couro, jaquetas personalizadas, vinis e CDs. Lá, também era possível encontrar comida e bebida a preços muito mais convidativos. A cerveja, por exemplo, custava 62 coroas suecas (6,2 euros) dentro do festival; na porta, podia ser achada por 15 coroas.

Mesmo com várias bandas de metal no line-up, o que mais se destacou foi a grande quantidade de fãs de hard rock. Com camisetas do Guns N’ Roses e do Mötley Crüe (o grupo fechou a última noite do festival), cabelos repicados e calças justíssimas, muita gente na plateia promoveu uma espécie de túnel do tempo do rock oitentista.

Para quem está acostumado aos banheiros químicos em grandes eventos no Brasil, o Sweden surpreendeu: banheiros móveis (como os químicos, mas com descarga) extremamente limpos, com papel higiênico reposto constantemente, pia e sabonete estavam à disposição do público. Além disso, havia outra diferença em relação aos festivais nacionais. Lá, diversos artistas promoveram sessões de autógrafos, como Dee Snider (Twisted Sister), Sebastian Bach (ex-Skid Row) e integrantes do Gotthard.

O primeiro dia de festival começou bastante nublado (no final da noite, os termômetros marcavam 10 graus). Como era um início limitado apenas a quem havia adquirido ingressos para os outros três dias, os shows passaram longe da lotação. Somente a banda Edguy viu uma plateia cheia (que, ainda assim, nem se comparava à grandiosidade dos demais dias).


7 de junho

Night Ranger, banda de hard rock dos anos 80 pouco conhecida no Brasil, trouxe muitos fãs para a frente do palco e, não bastando o excelente show que promoveram, ainda fizeram uma jam com Dee Snider na última música, “(You Can Still) Rock in America”.

Steel Panther e Sepultura tocaram no mesmo horário em palcos diferentes, dividindo os fãs de rock farofa dos apreciadores de rock pesado – ambos os públicos, no entanto, estavam igualmente animados. Por sua vez, o Graveyard, grupo sueco de rock progressivo, apesar de ter tocado em um dos dois palcos menores, deu lugar a centenas de pessoas trabalhando em suas air guitars.

Para quem já estava delirando com o show de Sebastian Bach, com sua banda em nova formação (cujo guitarrista tem apenas 18 anos), Dee Snider, considerado por muitos o pai do hard rock, ajudou a eternizar o momento cantando “Youth Gone Wild” com Bach.

Neste segundo dia, o Soundgarden foi o headliner. Apesar de ser inegavelmente uma grande banda, ninguém entendeu porque eles estavam como atração principal de um festival baseado em classic metal e hard rock. Em um palco imenso, eles tiveram menos público do que os grupos locais em palcos menores. Banda boa, festival errado.

8 de junho

A garoa gelada do terceiro dia não intimidou quem queria ver o Adrenaline Mob, ao meio-dia. Com apenas um álbum e contando com Russell Allen, antigo vocalista do Symphony X, e Mike Portnoy, ex-baterista do Dream Theater, a banda mostrou que tem um longo futuro pela frente.

Gotthard, apesar de em São Paulo ter sido a banda de abertura para o Unisonic, no Sweden foi uma das que mais levantou o público, levando ao pé da letra os versos da música “Lift U Up”, mesmo debaixo de muita chuva.

Muitos brasileiros já viram o Motörhead ao vivo, mas poucos puderam ver de perto o bomber, um avião de luzes usado em raríssimos shows na Europa. Uma experiência única. Logo depois de Lemmy Kilmister e cia., foi finalmente a vez do Twisted Sister que, após muitos anos na estrada, ainda mostra que realmente vive o rock and roll. O público cantou todas as canções, e a energia da banda mostrou que nunca se é velho demais para a música.

9 de junho

O quarto e último dia foi um presente, do ponto de vista climático: o sol quente fez com que muita gente substituísse o vinho pela cerveja e as capas de chuva por regatas – ou simplesmente cuecas e sutiãs para alguns. Até o meio da tarde, poucos se preocuparam em correr para as grades, preferindo se bronzear no gramado do festival.

A formação original do Bad Company teve algum destaque, mas um dos nomes realmente aguardados era o Slaughter, banda de hard rock norte-americana dos anos 80 que tocou em outro palco.

Já o Lynyrd Skynyrd não teve lotação máxima: o que mais havia na grade eram fãs do Mötley Crüe, que não se importaram em ver King Diamond no palco seguinte, guardando lugar para ver o headliner da noite mais de três horas antes do início do show.

Apesar de não serem mais garotões, o som do Mötley Crüe continua o mesmo. A bateria de Tommy Lee, que faz looping e deixa ele tocando o solo de cabeça para baixo, também foi para a Suécia. Na grade, fãs com idades, em média, entre 15 a 50 anos, apaixonados principalmente pelo baixista Nikki Sixx. O vocalista Vince Neil deixou a desejar (as voz falhou muito e em diversos momentos quem cantou mesmo foi o público), mas quando isso acontecia, a produção surpreendente do show, com muitos efeitos especiais, deu conta de roubar a atenção. Para quem participou dos quatro dias de Sweden Rock Festival, foi um fechamento mais do que à altura da qualidade do evento.