Filomedusa é destaque no Jambolada
Por Bruna Veloso, de Uberlândia
Em noite gratuita do festival, banda acreana divide atenções com o mineiro Marku Ribas
Foto: Marco Nagoa/Divulgação

Carol Freitas, à frente da acreana Filomedusa
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O palco sai da atmosfera quente da Acrópole para tomar uma pequena praça na UFU, rodeada por uma grande área verde - e próxima à árvore do jambolão, que deu origem ao nome do festival.
Para os organizadores, o show de domingo dá ainda mais margem para ousar na escolha dos artistas e na mistura de gêneros: teve o folk elétrico do Ophelia and the Tree, o hip hop do Renegado e os únicos representantes do samba na programação, Aline Calixto e a Eterna Chama, além da banda acreana Filomedusa - em um dos melhores shows de toda a programação - e de Marku Ribas, figura atuante no cenário soul e black da música brasileira.
Repetindo o que aconteceu nas noites anteriores, Ophelia and the Tree abriu a noite com cerca de 1h30 de atraso. Com som que remete a Belle & Sebastian, a banda tem uma boa mistura de violino e piano, somados ao vocal quase infantil de Camila Franco.
A praça não chegava a estar lotada - o público, que contou com 1.500 pessoas, se mantinha a boa distância da frente do palco, e na maior parte do tempo era possível circular sem problemas por toda a área.
Formada em 2006 em Rio Branco, no Acre, a segunda banda da noite fez uma ótima apresentação, com letras densas e uma vocalista carismática. A Filomedusa tem solos de guitarra extensos, sem serem pedantes; um baixo bem pontuado e uma bateria básica, dando espaço para a voz forte de Carol Freitas. No MySpace da banda faltou a boa "Levante", última da lista.
Na seqüência, o mineiro Renegado (segunda atração de hip-hop do festival; a primeira foi o Linha Dura, na sexta, 12) chegou saudando São Jorge. A vocalista Patrícia Lima começou cantando versos de "Jorge da Capadócia", indicando certa tensão. Mas o som do Renegado é mais permeado por reggae, ragga e suingue. O rapper conseguiu se comunicar muito bem com a platéia - e parte do mérito é dos trechos pegajosos de canções como "Do Oiapoque a Nova York" e "Mil Grau". O baixista Felipe Fantoni mandou ver no slap, ajudando a dar corpo às canções.
O grupo Eterna Chama chegou a iniciar o show, mas problemas na técnica fizeram com que a música tivesse que parar logo no início, contribuindo mais para o atraso. Quem pensou que os indies da platéia fossem torcer o nariz para o samba de raiz do grupo, enganou-se: o pandeiro e o cavaquinho da banda foram responsáveis pelo momento mais dançante da noite. Muita gente migrou para a frente do palco para escutar faixas da Velha Guarda da Portela ("Você Me Abandonou") e sambas de partido alto (a exemplo do paulistano "Não Faça Hora"). Aline só aparece na terceira música. Pequena ao circular nos bastidores, diante da platéia ganha força: a bela voz da cantora de 26 anos conquista o público, que chega a pedir "mais um" ao final do show. A platéia vaia a organização ao saber que o bis foi vetado; depois da manifestação, a banda ganha o direito de cantar um pot-pourri que incluiu o clássico "Não Deixe o Samba Morrer".
Para fechar a noite, o mineiro Marku Ribas mostra seu soul misturado a jazz e sempre erroneamente rotulado como "samba-rock". Dono de uma voz potente e com jeito malandro, Marku mostrou por que é respeitado por inúmeros artistas brasileiros. Ele passa o tempo todo sentado em um baquinho, ao violão; só deixa o posto para receber Renegado, para uma improvisação de versos. A noite termina com uma versão mais lenta de "Zamba Bem", faixa mais conhecida do cantor e hypada em clubes paulistanos. Bom final para o festival que se mantém como um dos mais variados musicalmente na cena independente.
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