O anjo e o demônio da indústria cultural
Por Caetano Veloso
Foto: AP

Michael Jackson planejava fazer 50 shows em Londres até fevereiro de 2010; a largada seria dada no próximo dia 13 de julho
Como todo mundo, acompanhei Michael desde que ele era pequeno. Como todo mundo, fiquei siderado pelo cantor e dançarino de "Off the Wall" e "Thriller". Como todo mundo, fiquei entre fascinado, enojado e apreensivo diante das transformações físicas por que ele passou. O que quer que tenha havido entre ele e aqueles meninos cujos pais o processaram, acho-o moralmente superior a esses pais.
Michael é o anjo e o demônio da indústria cultural. A serpente do seu paraíso e seu mártir purificador. Os talentos artísticos extraordinários frequentemente coincidem com vidas torturadas e enigmáticas. Michael era um desses talentos imensos. Dançando "Billie Jean" na festa da Motown ele foi sim tão grande quanto Fred Astaire: comentava o Travolta de Saturday Night Fever e o Bob Fosse do Pequeno Príncipe (este, uma influência fortíssima e evidente, que nunca vi mencionada). Vou entrar agora no palco pensando em Tom, Zeca, Moreno e Daniel - e, com um nó na garganta, no sentido da nossa atividade. Ele a representava em sua totalidade, fulgurantemente, tragicamente, divinamente.
- Matérias relacionadas
- Michael Jackson morre aos 50 anos de idade
Artistas comentam morte de Michael Jackson
Michael Jackson: discografia
Nasi fala sobre a morte de Michael Jackson
Helicóptero retira corpo de Michael Jackson do hospital
Empresa pode ter prejuízo de quase R$ 1 bilhão com morte de Michael Jackson
A Vida no Reino da Magia
Overdose de analgésico teria matado Michael Jackson, diz site
"Minha memórias de nosso tempo juntos serão felizes", afirma Paul McCartney
Casas de aposta londrinas colocavam em xeque a turnê de Michael Jackson
Michael pode ter disco póstumo
Autópsia não revela causa da parada cardíaca de Michael Jackson
COMENTÁRIOS