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Coreia do Norte ataca Obama e diz que EUA “comete crime” ao exibir A Entrevista

“Obama sempre se precipita com palavras e ações, como um macaco em uma floresta tropical”, diz comunicado

Rolling Stone EUA/Redação Publicado em 29/12/2014, às 13h54 - Atualizado às 14h36

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A Entrevista - Reprodução
A Entrevista - Reprodução

Após arrecadar quase US$ 18 milhões no fim de semana de estreia, A Entrevista continua pautando as relações diplomáticas entre Estados Unidos e Coreia do Norte. “A situação predominante mostra claramente que os EUA estão cometendo um crime ao exibir o filme A Entrevista”, disse um porta-voz militar da República Democrática Popular da Coreia em um comunicado oficial.

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“Não há retórica capaz de justificar a exibição e distribuição do filme”, segue o texto. “Obama sempre se precipita com as palavras e ações, como um macaco em uma floresta tropical.” A Comissão de Defesa Nacional da Coreia do Norte ainda acrescenta que o presidente norte-americano é o “principal responsável por forçar a Sony Pictures Entertainment a indiscriminadamente distribuir A Entrevista, um filme que está ferindo a dignidade da liderança suprema da República Democrática Popular da Coreia e promovendo o terrorismo”, segundo reporta a BBC.

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De acordo com o The New York Times, a Comissão de Defesa norte-coreana ainda culpa os Estados Unidos pelos ataques hackers a computadores e celulares, que resultaram no vazamento de informações e filmes da Sony. “EUA, um grande país, começou a distribuir as operações de grande mídia da Coreia do Norte na internet, sem responsabilidade nenhuma, como crianças brincando de pega-pega”. O Conselho de Segurança da Casa Branca se recusou a falar com o NY Times.

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Muitas sessões de A Entrevista, incluindo as realizadas na véspera do dia de Natal, tiveram as entradas esgotadas. De acordo com o site da revista Variety, o esperado é que essa “comoção” para ver o longa diminua, assim como o valor gerado com as vendas de ingresso. O YouTube, Google Play e Xbox Vídeos lançaram o filme em seus serviços sob demanda na última quarta, 24.

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Em todo o fim de semana de estreia, A Entrevista arrecadou cerca de US$ 18 milhões, de acordo com a Sony Pictures. O valor é uma soma do dinheiro arrecadado nas salas de cinema (US$ quase 3 milhões) e, principalmente, nas vendas online (com um alto retorno de cerca de US$ 15 milhões).

Entenda o caso

A Sony tinha decidido cancelar a estreia nos cinemas de A Entrevista – filme sobre jornalistas que recebem a missão de assassinar o ditador norte-coreano Kim Jong-un – por causa de ameaças terroristas. Posteriormente, após diversas celebridades e o presidente Barack Obama criticarem a posição da empresa, a Sony voltou atrás.

O NY Times informou que o ataque hacker, que levou ao vazamento de filmes inéditos e informações das contas de e-mail de executivos, foi patrocinado. Ele foi, também, o ataque mais destrutivo já visto em solo norte-americano.

Pesquisadores forenses da Sony estão investigando se os ataques tiveram ou não ajuda interna. “É claro que eles já tinham acesso à rede da Sony antes do ataque”, disse à publicação Jaime Blasco, um pesquisador de segurança da AlienVault.

Também já foi divulgado que os hackers deixaram pistas. Eles utilizaram programas comercialmente disponíveis para tirar dados da rede da Sony e usaram técnicas que se assemelham às de ataques anteriores, na Arábia Saudita e na Coreia do Sul.

Uma fonte identificada como oficial de inteligência dos Estados Unidos disse ao NY Times: “Isto foi de uma sofisticação que, se tivesse acontecido anos atrás, diríamos que estaria abaixo da capacidade da Coreia do Norte”.

Intervenção da ONU

Em julho deste ano, a Coreia do Norte fez uma reclamação formal à Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito do filme. “Permitir a produção e distribuição de um filme sobre um chefe de Estado soberano deve ser considerado como um incentivo ao terrorismo, bem como um ato de guerra”, afirma o texto assinado pelo embaixador da Coreia do Norte na ONU, Ja Song Nam.

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“As autoridades dos Estados Unidos deveriam tomar ações imediatas e apropriadas para banir a produção e distribuição do filme, caso contrário serão totalmente responsáveis por encorajar e patrocinar o terrorismo”, acrescenta.